Auditorias falham por falta de governança, não por falta de tecnologia – Trivor

Auditorias falham por falta de governança, não por falta de tecnologia

 

V

ocê pode ter bons sistemas. Pode ter uma equipe comprometida. Pode até ter uma TI “que resolve”.

E ainda assim, ser pego de surpresa numa auditoria.

Porque, na prática, auditorias raramente “dão errado” por causa de tecnologia. Elas falham por um motivo mais simples, e mais perigoso:

falta de governança.

Governança é o que transforma tecnologia em algo previsível.
Sem governança, a TI vira uma sequência de decisões espalhadas, sem dono claro, sem evidência e sem revisão.

E quando alguém pede evidências… o silêncio aparece.

 

A pergunta que define seu risco hoje:

Antes de qualquer conceito, vale uma pergunta direta, a que separa empresas preparadas de empresas vulneráveis:

Se alguém pedir hoje as evidências da sua TI, você saberia onde estão, e quem é o responsável?

Se a resposta for “depende”, “acho que sim” ou “preciso ver com alguém”, você já tem um sinal:
o risco não está só na TI, está na forma como ela é governada.

 

O mito da auditoria como “ameaça externa”:

Muita gente encara auditoria como um evento externo:
“chegaram para fiscalizar”, “querem achar problema”, “vão complicar”.

Mas auditoria não é um “ataque”. Auditoria é um espelho.

Ela não cria o risco. Ela revela.

E revela principalmente três coisas:

  • Decisões que foram tomadas sem registro
  • Controles que existem “na cabeça de alguém”
  • Processos que funcionam só quando ninguém pergunta como funcionam

Quando tudo está fluindo, dá para viver com isso.
O problema é que o mundo real não é um ambiente estável: pessoas mudam, demandas aumentam, equipes ficam híbridas, prazos apertam, responsabilidades se misturam.

E aí a auditoria só acelera a pergunta que um dia seria inevitável:

“Quem garante que isso está sob controle. e onde está a evidência desse controle?”

 

O erro comum: delegar TI sem governança

Delegar a execução é normal.
Delegar o controle é que é perigoso.

A maioria dos gestores não erra por negligência. Erra por um mecanismo comum:

  • A TI está funcionando “bem o suficiente”
  • Os problemas aparecem, mas são resolvidos
  • O gestor não tem tempo de “entrar no detalhe”
  • O tema fica “na mão de alguém” (interno ou terceiro)
  • As decisões viram rotina, sem registro, sem revisão, sem evidência

Esse modelo funciona… até a primeira pergunta séria.

E é por isso que muitas auditorias viram crise: não por falta de ação, mas por falta de documentação de decisão.

Uma empresa madura não é a que nunca falha.
É a que consegue provar, com clareza, como decide, como controla e como revisa.

 

Como conselhos e diretorias enxergam auditorias:

No nível de diretoria, a conversa não é “qual tecnologia você usa”.

A conversa é:

  • Quem é o responsável por cada controle crítico?
  • Com que frequência isso é revisado?
  • Que evidência existe de que a revisão foi feita?
  • O que acontece quando há exceção?
  • Quem aprova a exceção e onde isso fica registrado?

Percebe o padrão?

Auditoria, no olhar de board, é sobre rastreabilidade de decisão.

Quando a empresa não consegue responder isso com calma, o risco deixa de ser “técnico” e vira institucional:

  • risco de reputação
  • risco operacional (paralisação, retrabalho)
  • risco financeiro (custos de remediação, consultorias emergenciais, perda de produtividade)
  • risco de confiança (clientes, parceiros, investidores, doadores — dependendo do tipo de organização)

E aqui está o ponto central:
o problema não é ser auditado.
O problema é não saber o que será encontrado quando alguém olhar.

 

O que um gestor pode avaliar sozinho (checklist decisório):

Você não precisa ser técnico para governar bem.
Você precisa de critérios.

Abaixo está um checklist de decisão (não técnico) que qualquer gestor pode aplicar em 30 a 40 minutos, conversando com quem cuida do tema.

 

1) Acessos e permissões

✅ Você sabe dizer:

  • Quem aprova novos acessos?
  • Quem revisa acessos de forma periódica?
  • Com que frequência essa revisão acontece?
  • Onde fica registrado “quem tem acesso ao quê” (e quando isso foi revisado)?

📌 Sinal de alerta:
Se a revisão acontece “quando alguém lembra” ou “quando dá problema”.

 

2) Dados críticos e onde eles vivem

✅ Você sabe dizer:

  • Quais são os dados críticos do negócio?
  • Onde eles ficam (de verdade)?
  • Quem pode acessar?
  • O que acontece quando alguém precisa compartilhar externamente?

📌 Sinal de alerta:
Se a resposta é “fica no computador do time”, “fica no e-mail”, “fica em pastas soltas” ou “depende do projeto”.

 

3) Backups e capacidade de recuperação

✅ Você sabe dizer:

  • O que é considerado “dado crítico” para recuperar primeiro?
  • Qual é o tempo aceitável para voltar a operar?
  • Quem valida (com evidência) que a recuperação funcionaria?
  • Quando foi o último teste real de recuperação?

📌 Sinal de alerta:
Se existe backup, mas não existe teste.

  

4) Mudanças e exceções

✅ Você sabe dizer:

  • Quem aprova mudanças relevantes (acessos, regras, exceções)?
  • Onde isso é registrado?
  • O que impede mudanças “no improviso”?

📌 Sinal de alerta:
Se mudanças acontecem “para destravar” e depois ninguém documenta.

 

5) Evidências e rastreabilidade

✅ Você sabe dizer:

  • Onde ficam as evidências dos controles?
  • Se alguém pedir “agora”, você consegue reunir isso em 1 dia útil?
  • Existe um padrão mínimo do que é guardado e por quanto tempo?

📌 Sinal de alerta:
Se a empresa “precisa caçar” evidências em conversas, e-mails e memórias.

 

6) Dono de cada controle (o ponto mais importante)

✅ Você sabe dizer:

  • Quem é o dono do controle de acessos?
  • Quem é o dono do controle de dados?
  • Quem é o dono do plano de continuidade?
  • Quem é o dono da evidência?

📌 Sinal de alerta:
Se o dono é “a TI”, “o fornecedor” ou “o time”.
Dono precisa ser uma pessoa com responsabilidade definida.

 

A decisão que reduz risco antes da auditoria existir:

Aqui está a decisão que muda o jogo, e que quase ninguém faz por achar “burocrático”:

Defina e documente governança mínima dos controles críticos.

 

Na prática, isso significa:

  1. Escolher quais controles são críticos (poucos e bem definidos)
  2. Nomear um dono por controle
  3. Definir uma rotina de revisão (mensal/trimestral, conforme risco)
  4. Criar evidência simples e padronizada
  5. Ter um ritual executivo (30 minutos) para revisar status e exceções

Isso não é “fazer TI”.
Isso é governar risco.

E é exatamente isso que auditorias “premiam”: não perfeição, mas previsibilidade.

 

Por que isso protege seu nome, não só sua operação

Quando a empresa não tem governança, ela entra numa postura reativa:

  • “depois a gente vê”
  • “quando pedirem a gente corre”
  • “sempre foi assim”
  • “isso nunca deu problema”

Até dar.

E quando dá, o custo não é só técnico. O custo é:

  • desgaste interno
  • insegurança operacional
  • perda de confiança de quem depende da organização
  • sensação de que “ninguém sabe ao certo o que está acontecendo”

Governança resolve isso com uma mudança simples:

trocar improviso por evidência.
trocar urgência por rotina.
trocar “depende de alguém” por “está definido e revisado”.

 

Conclusão:

Auditoria não é um problema técnico.

É um momento em que a empresa precisa demonstrar que sabe governar aquilo que sustenta suas decisões, seus dados e a sua continuidade.

Quando a governança não está estruturada, a auditoria apenas revela o que já existia no dia a dia:

decisões sem responsáveis claros, controles sem evidências consistentes e riscos que nunca foram revisados de forma objetiva.

E, nesses cenários, o risco deixa de ser apenas operacional.

Ele se torna institucional, porque ninguém consegue explicar, com segurança e tranquilidade, quem responde por ele.

 

A Trivor apoia empresas na estruturação da governança de TI de forma clara, prática e alinhada à realidade de cada operação.

A atuação não se limita à tecnologia, mas ao que realmente reduz risco no dia a dia:

  • definição objetiva de responsabilidades
  • organização de decisões e evidências
  • visibilidade sobre riscos críticos
  • previsibilidade para auditorias, crescimento e continuidade do negócio

Tudo isso com uma abordagem consultiva, focada em decisões sustentáveis e em dar ao gestor clareza sobre o que está sob controle, e o que precisa evoluir.

Se você quer entender como estruturar governança em TI antes que riscos silenciosos se transformem em problemas formais, entre em contato conosco para uma conversa inicial.

AboutJacques Simões
Sócio Fundador da Trivor Consultoria

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